A menina e o violão.

Não me olhe assim com esse olhar de quem sonhou a vida inteira em me encontrar, porque eu vou acreditar.

Jesus,

Assim como todos os outros dias, amanhã também será árduo, fatigante e cansativo. Vou ver pessoas, umas que alegram meu coração, outras, que o entristecem. É inevitável. Olhares virão de encontro com o meu e muitos deles serão de desafeto. E no meio disso tudo, apenas peço: ensina-me a amar. 

Meu jeito não foi aceito. O acesso foi negado. Qualquer especialista já desistiu de mim. O que resta são meus trapos. Das quedas, trago a poeira, os machucados e um pouco de aprendizado. Nas costas o peso de ter que ser alguém. Nas mãos as dores e desilusões. Posso entregá-las a você, Pai? No rosto a marca das lágrimas fazem trilhos sobre a poeira. Alguém permite que eu me aproxime de ti? Posso tocar teu manto? Comer em tua mesa? Te abraçar? Posso deitar no teu peito e esperar essa tempestade passar? Preciso sentir teu amor me salvando de mim. Escolhi andar sozinho, mas percebi que nada sei. Posso esperar do lado de fora, desde que não o perca de vista. Sua graça é imerecida, mas me conforta, e me deixa te alcançar. Percebi que minha impureza afugenta aos outros, mas não a ti. Não sou ninguém para ter tua atenção, mas teu amor é maior que tudo. É maior que a minha dor.

Como pode um jovem conservar pura a sua vida? É só obedecer aos Teus mandamentos.

Em meio a dor Te louvarei, Senhor. E mesmo com o coração aflito e em pedaços, eu não desistirei de seguir Teus passos.

Porque minha mão que é curta pra ajudar o infeliz se estica pra julgar e negar o que a biblia diz? Será que é de Deus o crente orar assim: que a lei seja sobre eles e a graça sobre mim? “Vitória sobre os inimigos”. Inimigos são quem se os cristãos não deviam querer o mal de ninguém? Se o único inimigo que a biblia aponta, Jesus venceu na cruz, me diz, com quem cê luta contra. Será que é seu vizinho? Será que é seu patrão? Será outro caminho, outra religião?

Desculpa. É que eu penso com o coração. Pela razão eu já teria desistido disso tudo, me trancado no meu mundo e deixado tudo desabar. Mas eu não sei não me importar. Dai eu choro porque nem tudo depende de mim pra dar certo e isso é uma droga. Olha, não é que eu seja mestre em atropelar minhas vontades. Ou especialista em levar desaforo pra casa. Mas é que eu sei que o silêncio as vezes é a melhor resposta, sabe? Porque a dor e a raiva passam, mas as palavras ficam, e dá uma dorzinha no coração toda vez que a gente fuça. Aliás, por falar em coração… já viu coração pensar?

Olho para trás e vejo aquela menina que queria entender tudo, com medo de que não coubesse tamanha quantidade de informação dentro de si. Coube e ainda cabe. E quanto mais entra, mais sobra espaço para a dúvida. Compreendo hoje que nunca entenderei a morte, os sonhos, a sensação de dejá-vu e as premonições. Nunca entenderei por que temos empatia com uma pessoa e nenhuma com outra. Não entendo como o mar não cansa, nem o sol. Não compreendo a maldade, ainda que a bondade excessiva também me bote medo.

Eu não preciso de ninguém que não queira estar comigo.

Você me quer?
Você cuida de mim?
Mesmo que eu seja uma pessoa egoísta e ruim?

Isso é sobre recordar. ❤️

Quando eu parti partiu-se em mim meu coração. Meus pés tremeram ao pisar em outro chão. Eu disse adeus e a Deus eu disse sem razão que a minha companhia era a solidão…

É difícil crer quando as portas se fecham e a esperança morre um pouco todo dia. É difícil crer quando tudo dá errado e todas as tentativas são vãs. É difícil crer quando se planta o amor e só se leva rasteira, pancada, dor. É difícil crer quando as lágrimas se tornam nossa oração. Nessas batalhas que ninguém nos vê lutar, é difícil crer. Quando as orações são vazias, e nada do que é dito parece ser ouvido, é difícil crer. Quando tudo é escuro, a fé esmorece e a noite parece não passar. Quando as dúvidas se levantam como ondas e nos afogam num mar de águas escuras, é difícil crer. Peço forças. Me seguro em Deus. A fé me escapa pelos dedos. É difícil crer.

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