A menina e o violão.

Não me olhe assim com esse olhar de quem sonhou a vida inteira em me encontrar, porque eu vou acreditar.

Que foda o prólogo do teu livro :o

Anonymous

Obrigada! *-*

A vida as vezes parece mais apavorante que a morte. Clarissa descobriu isso num sabado á noite, no interior de East London, cidade da Africa do Sul. Voltava, sozinha, de uma festa na casa de Hadassah, amiga de trabalho. Era período de férias, então curtiam o máximo possível. Se aproximava de 1 da manhã, e apesar da tranquilidade da cidade, Clarissa estava com medo. Tirou a sandália para poder andar mais rápido. Sentia uma fina camada de suor formar-se em sua testa, e acelerou os passoas. Tinha a impressão de estar sendo seguida. Tentou ignorar seus instintos, mas cedeu á vontade de correr pra sua casa que ficava á 3 quarteirões dali. Então vê um clarão atrás de si. Um carro vinha em sua direção. Correu o máximo que podia, e percebe que o carro estava a seguindo. Sua velocidade dezenas de vezes maior que a de Clarissa. O veículo preto freia bruscamente ao lado de Clarissa, fazendo o seu medo transformar-se em pânico, e então a porta se abre. Ela não vira pra ver quem é. Continua a correr, e agora percebe que há alguém correndo atrás. E então, sente dois braços fortes puxando-a pra trás, e a prendendo pelo pescoço. Clarissa grita, e então vê a mão da pessoa encostando em seu nariz um pano com cheiro estranho. Eter. Sua visão embaça. Seu corpo não a responde, e os gritos não saem. E então desmaia. Era o início de sua morte. A pior existente. Aquela em que o corpo e a alma continuam com dor.

Um, dois, três pontos…

Quero te por em cada traço

Em cada linha

Em cada ponto

Te fazer curvar-se em cada vírgula

Ver-te deitar em cada travesso travessão

Fazer-te gritar numa exclamação

Fazer-te implorar-me motivos com uma interrogação

Exclamação; de corpo ereto

Interrogação; de curva doída

Vem, amor, eu te amparo, sendo barra

Eu te defendo, sem maiúsculo

Eu te deixo crescer, sem minúsculo

Amor, me faça teu

Se deixe ser minha

Te contarei todas as pintas do corpo

Em números, em letras

Te farei mulher feliz

Te farei menina minha

Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração…

Mesmo que a dor seja insuportável, mesmo que o desespero diga que o sol não vai voltar a brilhar, não dê ouvidos, dê ouvidos á verdade, e ela diz: Venham a mim todos os que estão cansados e sobrecarregados, venham a mim os aflitos, venham a mim os que não podem ir sozinhos, venham a mim os que choram e eu darei alivio, eu darei razões pra que você queira voltar a sorrir, eu darei razões para que você queira viver mais um dia, eu darei razões para você continuar, eu darei paz, a paz que vem da certeza de que tudo vai ficar bem.

A vida é feita de etapas. Se você não superar uma completamente, dificilmente vai ficar inteiro na outra.

E se um dia eu não acordar, espero que você se cuide. Se cuide muito.

Desculpa, é que você chora o tempo todo, e acha que precisa de alguém pra te fazer bem. Vai ouvir um disco legal, rir, ser sozinha um pouco.

Se Deus te pedir alguma coisa, Ele vai dar força para suportar a ausência dela.

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